25/07/08
24/07/08
el gatito
Apareceu na janela como uma visão inesperada. Estávamos cantando, concentrados nos tempos e nos instrumentos que aprendemos a tocar. Foi uma surpresa para ele e para poucos que tiveram a sorte de vê-lo. A aparição felina durou apenas alguns segundos e nada mais.
23/07/08
30 e poucos

Céu claro. Calor estável. Neste momento os termômetros marcam mais de 30° e a umidade relativa do ar é quase imperceptível. A massa de ar quente e seco do deserto predomina lá fora. Aqui dentro o ar fresco da serra só vai começar a fazer efeito após a meia-noite.
Hoje o sol brilhou forte, com escassa nebulosidade na maior parte do período (adoro esta invenção metereológica: chamar o dia "período").
Sabe-se que a baixa umidade relativa do ar nas horas mais quentes aumenta o risco de queimadas, stress, rabugice, preguiça, mau humor, moleza e, principalmente, intensifica aquela vontade de tomar um chopp bem gelado. Na falta "do" a gente se vira com uma cervejinha ou com um "tinto de verano", nesta ordem de preferência.
22/07/08
talvez
<<< Sensação de estar em off. Descansada e energizada, mas um pouco fora de foco.
>>> Acumulo dúvidas: calendários, tarefas, escritos, leituras. Voltar à rotina não é fácil, ainda bem que sempre trabalhei fazendo o que gosto (toc toc toc na madeira).
<<< Há um limite nas horas que agüento dentro de um trem, mesmo que seja na melhor classe. Aquele movimento continuo da paisagem me embriaga. Fico hipnotizada observando o campo passar a toda velocidade. A viagem acaba, mas a zonzeira fica comigo durante algum tempo.
>>> Ultimamente a primeira coisa que faço ao abrir o jornal aos domingos, depois de ler a coluna do Manuel Vicent, é claro, é me deliciar com a prosa inteligente de Javier Marias.
<<< "Uno de los mayores peligros de nuestro tiempo es el contagio, al que estamos expuestos más que nunca –en seguida sabemos lo que ocurre en cualquier parte del mundo y podemos copiarlo–, y en unas sociedades en las que, además, nadie tiene el menor reparo en incurrir en el mimetismo. Y a nadie, desde luego, le compensa ser original e imaginativo, porque resulta muy costoso ir contracorriente. Es el nuestro un tiempo pesado y totalitario y abrumador, al que cada vez se hace más difícil oponer resistencia. Y así, las llamadas “tendencias” se convierten a menudo en tiranías." J. Marias: "Con nuestros votos imbéciles", EP, 06-07-08.
>>> Viva la contracorriente, a contra-maré, o contrário, o diferente, o absurdo, o inquietante, o que não se cala, ainda que lhe peça um rei que já não manda nada. Abaixo a mediocridade medíocre das aparências enganosas.
>>> Bom, acho que já estou bem melhor agora.
19/07/08
18/07/08
walk, don´t walk

Hoje ri sozinha ao lembrar de uma reportagem do Casseta e Planeta em Nova York. O Bussunda começava assim:
Estamos aqui na esquina da Walk com a Don't Walk!
Aliás, esta piada deve ser bem velha. Até o Simão, o macaco, também já usou o mesmo tema novayorkino numa das suas divertidas crônicas:
E em Nova York o Lula marcou um encontro com a Dona Marisa na esquina da Walk com a Don't Walk!
A imagem é a cadeira The Road Tested Chair, criada por John Carter.
17/07/08
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Vosmicê me dá uma licencinha que vou lá no alto da serra uivar um poquinho. Já que estou na idade da loba (quase seria melhor dizer "na década da loba") não só posso como devo ver a lua nascer de quando em vez.
Hoje o céu está bonito e conhecemos um recanto especial com vista panorâmica.
Passo outro dia por aqui.
viva o anonimato
lua, lua, lua, luá
Era bem tarde. Antes de dormir resolvi dar uma zapeada básica e estacionei na TVE 2. Aos sábados há um programa chamado La noche temática que sempre tem boas atrações. Trata-se de uma sessão de documentários reunidos por tema. Geralmente são muito bem escolhidos, o único problema é o horário, já que começam muito tarde.
Peguei Opération Lune (2002) pela metade. Confesso que fiquei "kafusa". Até o final não sabia se era verdade ou pura mentira tudo o que estavam contando no documentário. Lembram daquela velha lenda de que o homem não pisou na lua e que tudo foi uma invenção do império do Tio Sam? Pois disso se trata este filme: um documentário-simulacro baseado em uma hipótese falsa. Ou seja, um documentário que investiga como se fosse verdade uma história que é a mais pura ficção. As imagens da chegada do homem à lua teriam sido a maior fraude política-científica da epopéia espacial norte-americana. Tudo inventado e artificialmente produzido para que ninguém tivesse dúvidas de que o homem havia pisado na lua. No documentário este "rollo macabeo" é contado de forma totalmente verossímel. É natural ficar em dúvida diante das entrevistas com Donald Rumsfeld, Henry Kissinger, Richard Helms, entre outros especialistas e personagens da época.
O mais divertido é que as imagens fraudulentas da chegada à lua teriam sido encomendadas a Stanley Kubrik. No documentário afirmam que até o final dos seus dias ele temia ser assassinado pela CIA para não revelar a "verdade verdadeira" sobre este caso. Aliás, todas as pessoas que sabiam algo sobre o falso filme lunar teriam desaparecido.
Ao final há uma pista. Esta é a melhor parte do filme, porque respiramos e pensamos: ainda bem! Fui dormir com uma sensação estranha, apesar de saber que era uma invenção maluca do William Karel.
Gostei muito desta forma de explorar os conceitos de verdade e invenção, do tom de conspiração e de segredos de estado, das falsas verdades afirmadas com argumentos incontestáveis e desta divertida e inteligente simulação.
Hoje encontrei no tio gugol várias informações sobre este fascinante falso documentário. Além desta resenha, também achei uma interessante análise do filme.
Li uma boa entrevista com Willian Karel em espanhol (aqui a mesma entrevista en français).
Descobri que no iutubi é possível ver todo o documentário em 9 partes separadas in english [1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8 e 9].
Também há uma cópia da versão original en français que começa aqui, o resto é facil de encontrar.
16/07/08
depois da tempestade...
14/07/08
magnólias & lumix

E por falar em flores, ainda se podem ver em várias praças, parques e jardins de Madrid magnólios floridos. São flores lindas, enormes, com um cheiro suave delicioso. Esta foto fiz na sexta-feira passada na Plaza de Oriente. Nota-se que minha xereta digital está completamente bichada. O fotômetro foi para o espaço e as fotos saem todas assim estouradas de luz. Esta até que ficou interessante. Parece -- e é mesmo -- um defeito especial.
A nova xereta já está na lista de desejos. Coisa mais linda mais cheia de graça: WiFi, tela de 3", grande angular Leica de 28 mm e tudo mais o que tenho e não tenho direito. Assim que desembarcar nas ibérias pensarei séria e efusivamente no assunto.
casa
O movimento dos dias é low. A vida corre mais solta e sem pressa. Ritmo lento, tipo chilautizen. Aproveito para colocar "aquelas" coisas da vida doméstica em dia. Minhas plantas andavam carentes de atenção, desfloridas e sem vontade de brotar. Foi um tal de adubo, corta por aqui, remove acolá, limpa e rega que agora dá até gosto ver tudo verdinho. Que tratem de florir!
Adoro orquídeas. Tenho várias: brancas, rosadas, amarelas. Mi torero é assim de romântico e me derreto ao recebê-las. Muitas já voltaram a florir várias vezes, graças ao carinho e ao adubo especial (aprendi aqui). A velocidade das horas dos últimos meses atravessou o samba em flor e nada aconteceu conforme as estações. Já era hora de voltar a cuidá-las.
Também costurei várias coisas. Mami nos ensinou direitinho. Minha zimã e eu gostamos muito de uma boa seção de agulha e linha: relaxa e ordena as idéias aleatórias. Deve ser porque somos netas de Dona Joaninha e sobrinhas de várias tias prendadas e muito queridas: Dirce, Dayse, Pêdrinha, Rosely, Lourdes... Nomes que combinavam com as tardes de verão claras e calorosas daquela casa mágica da Pedra de Guaratiba.
Para terminar, assisti na tv no fim da noite de domingo um filme que não havia visto e que me impressionou muito: Orlando, de Sally Potter: versão cinematográfica para a imprescindível obra de Virginia Woolf. O filme é lindo, denso, com fotografia e cenários cuidados e interpretações muito boas. Tilda Swinton está muito bem, apesar de não ter a ambigüidade andrógina necessária para o personagem principal. Quero ver de novo, desta vez na versão original.
É de 1992. Fico pensando o que aconteceu para ter perdido este filme. Nesta época fazia mestrado em História Social da Cultura na PUC-Rio. Passava horas na biblioteca estudando e gostava de um cineminha pra relaxar. Vamos, era "a cinéfila", via pelo menos 2 filmes por semana no cinema e mais outros em casa. Não perdia nada, ainda mais porque uma superamiga me avisava sobre todos os filmes que não deveria perder. Bons tempos.
Ultimamente não vejo ná di ná. Só um ou outro na máquina de fazer doido (esta pérola é do amigo F. Barros!) e olhe lá. Não me queixo. Antes estranhava e até fiz algumas tentativas de volta à sala escura. Agora só faço memória. Foi uma boa troca e o cinema que espere este bom tempo passar devagar.
11/07/08
arte digital

"Máquinas & Almas"
Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía
Esta ainda dá tempo de ver. Ficará até o dia 10 de outubro. Ótimo programa para este verão que está começando a ficar quente.
lixo é cultura


Doar, trocar ou quer levar tudo aquilo que ainda pode ter mil e uma utilidades. Esta é mais ou menos a idéia deste evento que vai até o dia 13 de julho, domingo.
Esta é uma iniciativa superbacana do Grupo Basurama.
No galpão "Intermediae-Matadero" a gente pode levar e deixar todo tipo de objetos: móveis, roupas, etc. Depois do dia 13, a coisa continua no interessante portal do projeto.
Já foram realizados vários eventos como este. Aliás, a idéia veio da Alemanha. Se trata de resolver o problema do lixo que não cabe nos depósitos normais de casa e da rua.
Aqui em Madrid, como em outras cidades européias, há dias em que a prefeitura recolhe estes objetos. Geralmente se colocam anuncios nos edificios para que as pessoas possam se programar.
Spermöla viene de la palabra alemana sperrmüll que significa la basura (müll) que excede del tamaño que cabe en el cubo de la basura. En algunas lugares de Alemania se organiza en la calle el Sperrmüll: los vecinos sacan sus objetos a la calle y otros pueden recogerlos, libre intercambio.
Projeto Supermöla é muito interessante, já que tem por objetivo gerar ferramentas que possam aumentar a vida dos objetos, além de criar um espaço de convivência social.
Supermöla
De 7 a 13 de julho
Intermediae
Matadero Madrid
Pº de la Chopera, 14
Metro Legazpi. L3 L6
Depois disso, Supermöla continua na internet!
10/07/08
últimos dias

Termina no próximo domingo, dia 13 de julho, a imperdível exposição "Goya en tiempos de guerra". Vi assim que começou em abril. Gostaria de ver outra vez, mas não sei se vou ter coragem de encarar aquela fila básica para entrar.
Deixo uma dica: chegue cedinho, assim que o museu abre as portas. É a melhor hora para ver tudo razoavelmente e com relativa tranqüilidade. Depois é salve-se quem puder!














